Geração Milênio: O paradigma das Farmacêuticas - Hub HR Thinking

Geração Milênio: O paradigma das Farmacêuticas

Por Breno Arantes em 05/dez/2018

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Será que as empresas estão mesmo preparadas para atrair e desenvolver todo o potencial da nova geração de talentos? Será que elas estão efetivamente abertas para absorver todo o potencial de disrupção que chega com essa turma?

Temos conversado com diversas farmacêuticas, empresas de medical devices, pagadoras e varejistas sobre como as companhias estão (ou não) sabendo lidar com a tal geração milênio e com o conflito geracional que vem conectado com isso.

Entre muitos e bons estudos sobre as diversas gerações existentes e os impactos no mercado de trabalho, gosto de citar o ótimo trabalho da ManPower sobre a Geração Milênio – Visão 2020 e seus highlights:

  • A geração milênio vai representar 35% da mão de obra global em 2020;
  • São extremamente digitais e empreendedores, ao mesmo tempo que são chamados de preguiçosos e egocêntricos;
  • Eles são surpreendentemente otimistas sobre suas carreiras;
  • Trabalham mais de 40h/semana;
  • Dinheiro, empregabilidade e dias livres são os principais drivers de atração;
  • A carreira que imaginam é em ondas e não no formato tradicional de escada.

Quando analiso como as principais empresas estão estruturando as suas estratégias de atração, vejo ainda que no setor de Life Sciences as companhias estão se pautando no “mais do mesmo”: 1º) Benefícios parrudos quando comparados com o restante do mercado; 2º) Venda do setor como mais estável diante da volatilidade no Brasil; 3º) O propósito de trabalhar com a saúde.

De forma alguma estou dizendo que é errado o que as companhias estão fazendo, até porque assim funcionou (e deu certo) por muito tempo, mas a questão é que geração que está crescendo e ocupando cada vez mais o mercado prioriza outros fatores na hora de escolher onde trabalhar. E as empresas que não agregam outros elementos, que não se abrem culturalmente para aceitar os novos perfil, que não se moldam para seduzir essa nova turma podem perder justamente as pessoas que mais trazem na bagagem a capacidade de promover mudanças significativas. É a energia nova! Eles já são o futuro da mão de obra no longo prazo e tem mais tempo para desenvolver as habilidades que o mercado está exigindo, como inteligência emocional, empatia e capacidade de abstração. Por tudo isso, tendem a ser os protagonistas das grandes disrupções.

Outro ponto curioso sobre a geração milênio é como estão olhando para a carreira. Segundo a Manpower, eles enxergam a aprendizagem de novas habilidades com projetos desafiadores como algo mais importante do que ficar na mesma empresa por um longo período. Além disso, entendem que a carreira será desenhada em ondas, portanto ciclos de vivência e experimentação, e não na escada de hierarquia tradicional que aprendemos até hoje.

Dentro da estratégia de atração, olhando além da questão financeira, será que as companhias quando estão desenhando os critérios de seleção com as novas habilidades necessárias e também com o novo desenho de currículo que estão fazendo? Não é o que tenho visto…

Como atrair um jovem talento para S&OP, por exemplo, desejando que ele tenha estabilidade nas companhias, “x anos” na cadeira e que venha do mesmo setor, se provavelmente ele vai romper com estes paradigmas?

O caminho ainda é longo para a maturação destes ainda jovens profissionais, mas é inegável que as empresas que estiverem preparadas vão certamente beber água fresca.

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Breno Arantes